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Doença de Gumboro: Como a tecnologia Imunocomplexo pode elevar o padrão sanitário da avicultura brasileira

  • Foto do escritor: Lucas Batista
    Lucas Batista
  • há 13 minutos
  • 4 min de leitura
Representação do Brasil protegido por escudo simbólico, ilustrando estratégias de controle da Doença de Gumboro na avicultura brasileira.

A doença Infecciosa da Bursa (IBD), conhecida como Doença de Gumboro, continua sendo um dos principais pontos críticos da sanidade avícola no Brasil. Trata-se de uma enfermidade de alta transmissibilidade, com tropismo específico pela Bursa de Fabricius e reconhecido potencial imunossupressor, especialmente quando associada a cepas variantes ou muito virulentas. Na prática, isso significa maior vulnerabilidade sanitária, resposta vacinal comprometida e impacto direto sobre desempenho e qualidade de carcaça.

Dados recentes obtidos no estado do Paraná demonstraram a detecção do vírus em 33,33% das amostras analisadas, evidenciando, circulação ativa mesmo em plantéis previamente vacinados, este achado foi associado a lesões significativas na Bursa de Fabricius e na medula óssea, comprometendo a integridade do sistema imune e favorecendo quadros de imunossupressão. Do ponto de vista produtivo, os lotes positivos apresentaram piora estatisticamente significativa na conversão alimentar e aumento na taxa de mortalidade, demonstrando que o impacto da doença extrapola o diagnóstico laboratorial e se traduz diretamente em perdas econômicas (Dias, et al, 2024).

O controle efetivo da IBD está estruturado sobre três pilares: • Biosseguridade consistente • Manejo adequado da imunidade materna • Escolha estratégica da ferramenta vacinal



FERRAMENTAS DE CONTROLE DISPONÍVEIS


Vacinas Vivas: Sua performance depende do alinhamento preciso entre títulos de anticorpos maternos e momento de aplicação. Desvios nessa programação podem resultar em interferência excessiva ou em janelas de susceptibilidade para entrada do vírus de campo.


Vacinas vetorizadas: Geralmente baseadas em herpesvírus de peru (HVT) recombinante expressando VP2, apresentam como diferencial a ausência de lesões bursais, por não colonizarem a Bursa, não promoverem povoamento de vírus vacinal nas granjas e menor interferência por anticorpos maternos. Portanto, a magnitude da eficácia vacinal pode variar conforme a pressão de desafio no campo.


Vacinas imunocomplexo: As vacinas imunocomplexo associam vírus vacinal vivo atenuado a anticorpos específicos anti-IBDV. Essa tecnologia permite aplicação in ovo ou ao primeiro dia de vida, promovendo liberação progressiva do vírus conforme ocorre o declínio natural dos anticorpos maternos. A literatura demonstra que essa dinâmica reduz o risco de janela imunológica e sincroniza a replicação vacinal com o momento de maior susceptibilidade das aves, conforme evidenciado em estudos experimentais recentes sobre dinâmica de replicação e resposta imune da IBD (LEGNARDI et al., 2020).


Sendo o diferencial estratégico dessa tecnologia, a autorregulação da liberação viral, favorecendo proteção mais homogênea do lote, não dependência de cálculos individuais de títulos maternos e maior previsibilidade sanitária — elementos essenciais para elevar o padrão sanitário da propriedade avícola.


Resultados experimentais com a vacina imunocomplexo (cepa Winterfield 2512)

IMUPLEX®, em vacinação de aves com status sanitário controlado, pela via In Ovo, acompanhadas até os 42 dias de idade, demonstraram uma liberação precoce do vírus vacinal e sua posterior migração para os principais órgãos linfóides, Baço, Bursa de Fabrícius e Tonsila Cecal, permanecendo nestes órgãos até os 35 dias de idade.


Infográfico sobre a dinâmica de colonização do vírus vacinal nos órgãos linfoides de aves no controle da Doença de Gumboro.

Imagens histológicas da Bursa de Fabricius mostrando integridade tecidual após vacinação contra a Doença de Gumboro.
Imagens histológicas de Bursas de Fabricius de aves SPF. Demonstrando uma Bursa íntegra (à esquerda) e Bursa com leve Depleção Linfóide (à direita). Fotos Cortesia Dr. Claiton Schwertz - Lab. Inata.

Nas análises histológicas, a integridade tecidual da Bursa demonstrou órgão íntegro ou com depleção linfóide leve no grupo das aves vacinadas, sem evidência de necrose acentuada, hemorragia ou lesões severas, sem interação negativa entre aves vacinadas e não vacinadas quanto a peso vivo (P=0,22), absorção de gema (P=0,36) aos 7 dias e score de Bursa (P=0,6 14), sugerindo ausência de impacto zootécnico mensurável nas condições experimentais analisadas.


Avaliando-se a eficácia da soroconversão por ELISA (IDEXX IBD) evidenciou-se um perfil consistente de soroconversão nas aves vacinadas, com incremento progressivo de títulos ao longo das semanas experimentais, acompanhando a dinâmica de liberação viral observada por PCR, citada anteriormente. A associação entre detecção precoce do vírus vacinal aos 7 dias, manutenção de positividade na Bursa até 35 dias e aumento gradual dos títulos de anticorpos reforça que a replicação ocorreu de forma controlada e imunologicamente eficaz. Esses achados são relevantes, pois demonstram que a vacina foi capaz de induzir imunidade humoral ativa sem evidências de reação vacinal exacerbada e impacto no desempenho zootécnico, sustentando a consistência biológica e a previsibilidade sanitária da tecnologia imunocomplexo nas condições avaliadas.


Gráfico demonstrando a soroconversão e evolução dos títulos de anticorpos após vacinação contra a Doença de Gumboro.

Os dados indicam que a vacina Imunocomplexo tem potencial para promover replicação controlada do vírus vacinal, soroconversão consistente e manutenção da integridade bursocitária, sem interferência sobre desempenho produtivo das aves vacinadas, sugerindo um equilíbrio entre imunogenicidade e segurança das aves, característica desejável em programas vacinais modernos.


Considerando que a doença de Gumboro permanece como uma enfermidade estratégica na avicultura brasileira, especialmente por seu potencial imunossupressor, a escolha da ferramenta vacinal deve considerar o perfil epidemiológico regional, nível de anticorpos maternos e pressão de desafio e neste cenário as vacinas imunocomplexo representam alternativa tecnologicamente avançada, com evidências científicas que sustentam sua capacidade de sincronizar replicação vacinal com a janela imunológica, reduzindo riscos operacionais associados à programação vacinal tradicional.



Referências:

  1. DIAS, J. E. de M.; HUNKA, E. L. P. C.; DEZEN, D.; BEIRÃO, B. C. B. Impact of genogroup 4 infectious bursal disease virus on vaccinated broiler flocks in Paraná, Brazil. Journal of Applied Poultry Research, Oxford, v. 33, 2024.


  1. LEGNARDI, M. et al. Infectious bursal disease virus: epidemiology, evolution and control strategies. Avian Pathology, Londres, v. 49, n. 3, p. 207-219, 2020.

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