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ROTAVÍRUS DO GRUPO C: UM AGENTE SUBESTIMADO NA DIARREIA NEONATAL DE LEITÕES NO BRASIL

  • Foto do escritor: Julia Montes
    Julia Montes
  • 22 de jun.
  • 3 min de leitura

POR JULIA HELENA MONTES, GERENTE TÉCNICA UNIDADE DE SUÍNOS (MONTES et al., SINSUI 2026)

Leitão recém-nascido mamando em matriz suína na fase de maternidade.

A diarreia neonatal em leitões representa um importante desafio sanitário na suinocultura, sendo os rotavírus frequentemente envolvidos. Embora o rotavírus do grupo A (RVA) seja historicamente o mais estudado, evidências recentes indicam que o rotavírus do grupo C (RVC) apresenta ampla distribuição e pode estar associado a quadros entéricos, inclusive na ausência do RVA.


Com o objetivo de compreender melhor a dinâmica epidemiológica desses agentes no Brasil, o time técnico da INATA realizou um levantamento laboratorial abrangendo o período de 2023 a 2025, avaliando a frequência de detecção dos rotavírus dos grupos A, B e C em amostras de leitões lactentes com diarreia. Os resultados foram apresentados no Simpósio Internacional de Suinocultura (SINSUI) 2026, realizado em Porto Alegre.


Esquema de amostras de fezes de leitões com diarreia, 2023–2025, frasco e análise PCR para RVA, RVB e RVC.

Durante os três anos avaliados, foram realizadas 1.601 análises por PCR em amostras provenientes de leitões lactentes diarreicos oriundos de diferentes estados brasileiros. Desse total, 35,23% (564/1.601) das amostras apresentaram detecção de material genético viral. A tipificação demonstrou positividade de 19,05% (305/1.601) para rotavírus do grupo A (RVA), 17,74% (284/1.601) para o grupo C (RVC) e 2,25% para o grupo B (RVB). Também foram observadas codetecções entre diferentes grupos virais, sendo 9,22% (52/564) para RVA + RVC, 1,24% (7/564) para RVA + RVB e 0,18% (1/564) para RVA + RVB + RVC.


A avaliação temporal demonstrou aumento na frequência de detecção entre 2023 e 2025, com incremento de 4,60% para RVA, 3,98% para RVC e 1,33% para a codetecção RVA + RVC (Figura 1). Esses resultados evidenciam a elevada ocorrência de rotavírus em leitões lactentes com diarreia e destacam a importância crescente do RVC, cuja frequência de detecção se aproxima da observada para o RVA.


Figura 1: Frequência de detecção de Rotavírus do grupo A e C em amostras de suínos diarreicos entre 2023 e 2025.


Frequência de detecção de Rotavírus do grupo A e C em suínos diarreicos entre 2023 e 2025

Aproximadamente 80% das amostras recebidas foram provenientes dos estados de Minas Gerais (25%), Santa Catarina (22%), Rio Grande do Sul (12%), Paraná (10%), Mato Grosso (7%) e São Paulo (7%). A positividade para rotavírus do grupo C variou entre os estados (Figura 2). Apenas Espírito Santo e Distrito Federal apresentaram taxas inferiores a 10% de positividade. Nos demais estados, observaram-se frequências variando de 13,76% a 35,29%, demonstrando ampla distribuição geográfica do RVC no Brasil e sua relevância nos principais polos produtores de suínos.


Figura 2: Percentagem de detecção de Rotavírus do grupo C nos principais estados brasileiros produtores de suínos entre os anos 2023 e 2025.


Distribuição do Rotavírus do Grupo C nos estados brasileiros produtores de suínos 2023 a 2025
Acre: 35,29% (6/17), Bahia: 14,63% (6/41), Espírito Santo: 6,25% (2/32), Goiás: 19,92% (19/106), Minas Gerais: 16,30% (66/405), Mato Grosso do Sul: 23,21% (13/56), Mato Grosso: 18,35% (20/109), Paraná: 27,67% (44/159), Rio Grande do Sul: 13,85% (27/195), Santa Catarina: 13,76% (49/283), São Paulo: 29,91% (32/107), Distrito Federal: 0,00% (0/18).

A elevada frequência de detecção do RVC sugere que a contaminação ambiental pode desempenhar papel importante na manutenção da infecção nas maternidades, favorecendo a exposição precoce dos leitões. Além disso, uma possível baixa imunidade colostral específica contra esse agente pode contribuir para a maior suscetibilidade dos animais nos primeiros dias de vida.


Em conjunto, os resultados indicam que o RVC deve ser considerado um importante agente envolvido na diarreia neonatal de leitões no Brasil. Os achados podem refletir tanto mudanças no perfil epidemiológico da doença quanto avanços nas ferramentas diagnósticas disponíveis, reforçando a necessidade de inclusão do rotavírus do grupo C nos protocolos diagnósticos e nas estratégias de monitoramento sanitário das granjas. ROTAVÍRUS DO GRUPO C: UM AGENTE SUBESTIMADO NA DIARREIA NEONATAL DE LEITÕES NO BRASIL

Área técnica - Unidade de Suínos | INATA

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